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Texto curatorial Lugares de Afeto

Exposição da artista Sueli S Ferrer

Setembro, 2025


​Débora Paiva

Lugares de Afeto propõe um deslocamento para o interior de todas as coisas. A exposição da artista Sueli S. Ferrer conta uma parte de sua trajetória — e da nossa — entranhada na metamorfose dos objetos como um enredo para novas formas. Cada lugar de afeto eleito, como papel, folha, tecido, desenho, flor, paisagem e fotografia, apresenta-se como uma homeostase. Funda-se, em seu interior, a necessidade do equilíbrio, da estabilidade, contrariando tudo o que é exterioridade, aparência e conflito.

A matéria utilizada expõe a permanência que só pode existir na constatação da impermanência, assim como a potência que se instala em toda e qualquer fragilidade. As obras, a partir do olhar da artista — que pousa tão suave sobre os objetos quanto as mãos que os manipulam —, enganam sobre a sua quase ruína. O eterno se disfarça no deteriorado, e a leveza das imagens impõe o peso de suas simbologias. O repouso nos alerta para o prenúncio de uma mudança.

É preciso um olhar atento e silencioso para adentrar o abismo que as sutilezas da exposição escondem. Nos afetamos nesses lugares que denunciam o inusitado do tempo, a memória em risco e o rabisco que somos no contexto do mundo — tão ressecados e tão absurdos de beleza como são as plantas que fenecem e, serenamente, ficam ali, até serem recolhidas pela poética da artista.

 

 

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